Desejando sempre um excelente dia a vocês estimadas pessoas!
Tenho algumas paixões, entre elas... ler. Pablo Neruda, poeta, escritor chileno, Nobel Literatura... esse é o cara. Poucos sabem assentar por escrito o significado de envolver-se com alguém, o desespero da perda, a intensidade do entregar-se... amar, apaixonar-se, aprender a desamar e desapaixonar-se. Escolhi essa frase que contém uma verdade simples... quem ama (ao menos dentro de um relacionamento entre dois seres humanos, no sentido romântico, eros - amor apaixonado, com desejo e atração sensual) busca e deve ser correspondido.
Tentar entender como funciona a dinâmica dessa condição de relacionar-se, amar, apaixonar, é algo complicadíssimo, intrigante e frustrante. Certamente já encontrei pessoas incríveis, dentro do ideal de pessoa que buscava (ou achava saber querer) e não acontecia a mágica, o diferente, o querer envolver-se. Sendo absolutamente sincero, tentei muitas vezes depositar minhas fichas quando dum encontro assim, com uma pessoa especial. Mas muitas vezes as coisas não desenvolviam, não se concretizavam. Por quê? Por quê não? Por quê não consigo determinar algo tão importante na vida de uma pessoa? Por que não existe um dispositivo dentro de nós que pode ser acionado para conseguir estar, ficar e permanecer com alguém que tem todos os predicados para me fazer feliz? Por que uma "ilógica do acaso" de muitas circunstâncias determina o início, o admirar, o atrair de outro? É no mínimo frustrante. Explico. Nessa "ilógica do acaso" quando encontramos alguém especial, acontece do outro interessar-se mais que eu, eu interessar-me mais que o outro, o outro e eu nos interessar-nos mas um afastar, um não acontecer, fazer tudo esfriar. Também eu interessar-me, o outro interessar-se e subitamente quando a luz do amor se aciona, o envolvimento acontecer, o beijar, o tocar serem incríveis, um de nós amendronta-se de tal modo, diante da possibilidade do real, verdadeiro, da possibilidade de muitos momentos felizes... se foge, se perde, amarga-se e conforma-se com a solidão, o isolamento.
Não posso reclamar de meus envolvimentos de modo geral. Meu primeiro amor, uma moça simpática, inteligente e de forte personalidade, despertou em mim todos os sentimentos, calafrios, desesperos, inseguranças, boca-seca, mãos trêmulas, palpitar e acelerar do coração... amei intensamente. Inicialmente em silêncio, posteriormente, um envolvimento curto (mas real) e claro ao término disso, com seus subsequentes e "devastadores" (primeiro amor sempre é assim) períodos de recuperação, lamúrias e recolhimento. Pensava então que amar não mais seria possível. Nãnãninãnão! A segunda que me envolveu, pequenina, loira e de olhos verdes. Calada, tímida, com história familiar triste. Tornamo-nos amigos, vivi seus problemas e dificuldades, do mesmo modo como faço até hoje com todos que amo. Sofrimento meu! Continuar amigos ou perder algo que já tinha (amizade) na tentativa de um envolvimento? Com coragem reunidas, me declarei. Nem uma coisa, nem outra. Restou carinho e boas recordações. Pensei então... "me dizem que se ama só uma vez, amei duas, sortudo eu né! Vamos ver o que faço com o restante da vida". Nãnãninãnão duplo!
Conheci então uma moça na escola, já tinhas meus 16, 17 anos. Éramos de classes diferentes, mas com um amigo querido em comum (até hoje meu amigo). Avistando aquela pessoinha de longe, não simpatizei. Tinha uma carinha entojada, metida. Outros não a suportavam e faziam me ter certeza que meu julgamento a distância era corretíssimo. Tivemos de nos aproximar por conta de um trabalho (montagem de uma peça) e éramos os responsáveis por isso. Passei a conhecê-la melhor, aceitar suas diferenças e acreditem... ELA É ABSOLUTAMENTE DIFERENTE DE MIM! A-B-S-O-L-U-T-A-M-E-N-T-E! Não me atraia (era super obesa e não tinha muito auto-estima). Mas nos tornamos amigos. Queria ver essa minha amiga feliz, encontrar alguém legal e que a respeitasse. Os envolvimentos dela tinham sido os mais trágicos possíveis. Daqueles que gradativamente te mortificam, anulam, devastam e roubam a dignidade. Fiz dieta junto com ela (tinha 69kg e meço 1,84) e surgiu então um alguém tão atraente, vivo e pulsante! Como fiquei feliz nessa virada de mesa, neste recomeço! A possibilidade de ficarmos juntos? Nula! MAS, com o passar do tempo (ANOS) sentia-me novamente melancólico, triste e exageradamente irritado. Não entendia o que se passava e então minha estridente mãe disse - "criatura você está apaixonado". E era verdade! Essa minha amiga, tornou-se minha namorada, noiva, esposa. Vivência de 15 anos. Fui feliz. Aprendi que amor também pode ser construído. Amor construído é possível! A separação foi esmagadora. Aprendi que qualquer separação, mesmo que dentro de toda dignidade, sinceridade... é amarga, dura, dolorosa.
Pós separação, tudo muito desordenado na mente e nos sentimentos. Pensar em envolver-se, apaixonar-se, entregar-se é muito pesado. Que trabalho! Recomeçar! Acreditar! Permitir-se! Tentei então searas nunca exploradas, por muitas circunstâncias, me envolvi com um rapaz. Boa pessoa (mais jovem que eu). Acreditei, investi, doei (não tenho tantos freios quando acredito em alguém), mas fui mal-sucedido. Mais dor, sofrimento. Fechei-me completamente, curando as feridas, auto-exame - onde falhei, o que fiz, o que deixei que fizessem comigo??? Já restabelecido, não sei exatamente por quê, em uma madrugada, onde consolava e fazia companhia a uma amiga com pai hospitalizado, entrei sala de bate papo, aceitei falar com um cara, com um nick que jamais aceitaria em dias normais e por quê esse cara insistiu em falar comigo, mesmo eu o ignorando, conversamos, nos interessamos, nos descobrimos, falamos, rimos, dividimos nossas visões de mundo e encontramos tantas afinidades. Passaram-se horas, já era manhã... sua conexão cai... fico alucinado e imagino "perdi o contato, ele nem vai lembrar de mim". Penso nele ao longo do dia e ao chegar em casa, entrando msn re-encontro alguém que diz "fiquei tão aborrecido por ter caído, pensei o dia inteiro em você!".Era tudo que queria ouvir. Continuamos nos conhecendo, nos apegando, nos revelando... outra madrugada e manhã. Então nos encontramos e tudo acontece tão naturalmente, tão maravilhosamente e quando nos tocamos sinto que ele confia em mim, mais que isso, me deseja, sim é um sonho. Fizemos planos, espontaneamente. Ele se deita sobre meu colo, beija meu rosto, minha boca, pede para que cuide dele. Ele me permite de novo acreditar.... MAS.... fantasmas, medos e outros sentimentos que agora ele experimenta fazem essa história parar no tempo. Sim... consegue entender o por quê disso? Nem eu!
Agora me resta recolhimento, sou careta, romântico. Não sei ficar flertando e tratando tudo como casual, como se outros não tivessem sentimento. Coração dolorido com o afastamento, afastamento esse necessário. Afinal "amor é feito espelho: tem que ter reflexo!".Amar novamente é possível? Minha vida me permite dizer que sim.
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